O MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) informou nesta terça-feira (24) que estima que 25% das exportações brasileiras para os Estados Unidos sejam afetadas pela tarifa global de 10% que entrou em vigor hoje.
Esse valor, equivalente a US$ 9,248 bilhões em exportações, inclui produtos como:
Máquinas e equipamentos;
Calçados;
Móveis;
Vestuário;
Madeira;
Produtos químicos;
Pedras ornamentais;
Peixes e frutos do mar;
Mel;
Tabaco;
Café instantâneo;
Outros.
No entanto, o governo avalia que o novo regime tarifário dos EUA “aumenta a competitividade de vários setores industriais brasileiros no mercado norte-americano”, pois reduz as altas tarifas de 50% anteriormente impostas ao Brasil e que ainda afetavam alguns setores — como os listados acima.
Antes das mudanças, 22% das exportações brasileiras para o mercado americano estavam sujeitas a tarifas adicionais de 40% ou 50%.
Agora aplicada igualmente aos parceiros comerciais dos EUA, a tarifa global permite que o país concorra “em condições equivalentes com outros fornecedores internacionais”, segundo o MDIC.
Em comunicado, o Ministério destacou a exclusão das aeronaves — consideradas pela agência como produtos de “alto valor agregado e conteúdo tecnológico significativo” — das novas tarifas. As aeronaves foram o terceiro produto brasileiro mais exportado para os EUA em 2025.
Com base na decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, que também isentou importantes produtos do agronegócio, o MDIC estima que 46% (US$ 17,496 bilhões) das exportações brasileiras estão isentas de tarifas. Outros 29% (US$ 10,938 bilhões) continuam sujeitos a sobretaxas específicas do setor.
As novas tarifas globais foram anunciadas pelo republicano na última sexta-feira (20), depois que a Suprema Corte dos EUA declarou ilegal a base legal que sustentava o aumento tarifário do ano passado.
A medida tem base legal na Seção 122 da Lei Comercial dos EUA de 1974, que autoriza o presidente a impor tarifas de até 15% por até 150 dias para corrigir desequilíbrios na balança de pagamentos ou restrições comerciais.
Trump anunciou no sábado (21) que aumentaria a alíquota para 15%, mas, de acordo com um aviso emitido pela CBP (Customs and Border Protection), a alíquota que entrou em vigor nesta terça-feira foi de 10%. A Casa Branca afirma que ainda está trabalhando para implementar a tarifa mais alta.
Brasil como maior beneficiário
O Brasil deve emergir como o maior beneficiário das tarifas de 10% impostas pelos EUA, de acordo com uma pesquisa da plataforma de monitoramento Global Trade Alert.
Segundo o estudo, a nova regra deve causar uma redução de 13,6 pontos percentuais na tarifa média aplicada às exportações brasileiras que entram em território americano.
Antes de a Suprema Corte declarar ilegal o aumento da tarifa, o Brasil enfrentava tarifas médias de cerca de 26,3%, que caíram para 12,8% sob a nova tarifa global.
Além disso, os principais produtos do agronegócio exportados pelo Brasil para os EUA — como carne bovina, laranjas e suco de laranja — estarão isentos da tarifa global.
Alckmin menciona oportunidades
Anteriormente, o ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, já havia afirmado que a nova rodada de tarifas “abre caminho” para a melhoria do comércio entre o Brasil e os EUA.
Durante um evento na FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) na segunda-feira (23), Alckmin reiterou que o Brasil deve ser o país mais beneficiado pela nova configuração tarifária dos EUA.
“Essa decisão não é um problema. Ela abre um caminho em termos de alcançar um melhor comércio com os Estados Unidos”, disse o presidente interino.
“Embora os Estados Unidos sejam nosso terceiro maior parceiro comercial em volume total, eles são o ‘número um’ em produtos industriais e manufatura. A China compra muitas commodities, mas os Estados Unidos compram máquinas, aeronaves e motores”, observou.